By Samandra

How SF Taught Me To Love Everyone

05 May 2018

[português abaixo]

I went twice to San Francisco last Summer. I had planned before with my friends to go to SF for about four times, but it never happened… I needed to renew my passport at the Brazilian consulate so I was happy to have a good excuse to go on this trip by myself. The second trip I got to meet with old friends, and it was so good to be there again with people I enjoy spending time with. Both trips were great, but I think that the first was the one that taught me how to love people, how to love everyone.

On the first trip, I met some Brazilian girls whom I became friends through Facebook, and also hang out with a girl from Latvia, whom I met at the hostel where I was staying. We went to cool places, visited touristic places, and took a bunch of pictures – one of my favorite things to do! Then I found out myself again, in situations where I had to adapt myself to new people and make new friends, which was great!

Living in Utah I learned to be more dependable of people to do things. While I was living in Virginia, I used to do a lot of things by myself. Not because I didn’t have friends – I had great friends while I was there, and I did a lot of things with them. But very often I wanted to do things on my own, or if my friends didn’t want to do something that I wanted, and if our schedules didn’t match, I would just do what I wanted by myself. There were actually many times that they told me, “next time you go to D.C. let me know that I want to come with you”, and I would just go and not tell anyone.

Going to San Francisco after a long time without doing things on my own was a bit scary at first, but it taught me something so important that it probably wouldn’t happen if I was with my friends in that trip: it taught me how to love everyone.

And when I mean love, I mean the real love, that pure feeling, that’s good. That feeling that makes you want to do good to people, that makes you want to understand why they do what they do, to feel compassion for their sufferings, and accept them as they are.

My last day in San Francisco while I was walking to the train station I saw this street crowded with people, everyone doing their own thing. There were people that seemed that were going to work, other that were shopping, lots of tourists taking pictures, lots of LGBT couples, homeless in the streets, people from many different countries, languages, and cultures. Basically people with different colors, sizes, and shapes. All of them together in that same big soup called San Francisco.

Seeing all these people, many of them doing things that is different than what I think and do, I was in shock at first. I’m too used to the people in Utah, who seem so similar to each other, and even to myself. But later it came to my mind a thought that changed it all. I started to think about their lives, where they came from, the reasoning behind their choices, what makes them happy, and more importantly, it made me think that they are all children of God. The same God that’s also my Father.

Seeing these people through this lens changed the way I think. I could feel real love for them, even though they are so different from me, and do things that I don’t agree. I realized that after all, we all are looking for something in this life. We want to feel good, we want to feel happy, we want to feel loved. Of course, there are difficulties in this life, which makes us feel depressed, hopeless, and choose things that actually will lead us away from our ultimate goal. But in essence, we all need to be loved. For what we are, in the way that we look, and with whichever choices we make.

If I am an expert at loving people now? I am not. It’s a constant process. But I think that what matters for me is to keep trying, and learning with my failures. One thing I can tell you, I am a better person than I was yesterday. And that’s what matters most.

—-

Fui duas vezes pra São Francisco no verão passado. Tinha tentado por umas quatro vezes pra ir pra lá com meus amigos, mas nunca deu certo… Eu tinha que renovar meu passaporte no consulado, e essa foi a desculpa perfeita pra eu ir numa viagem sozinha pra SF. Na segunda viagem eu me encontrei com alguns amigos das antigas, e foi bom demais passar tempo com pessoas que eu gosto. As duas viagens foram ótimas, mas foi na primeira viagem que eu aprendi a amar à todos.

Na primeira viagem eu me encontrei com umas meninas brasileiras que conheci no Facebook, e também com uma menina da Letônia que encontrei no hostel onde eu fiquei. A gente foi em lugares legais, visitamos aqueles lugares turísticos, e tiramos um monte de fotos – uma das minhas coisas favoritas! Então me achei de novo em situações em que eu tive que me adaptar às novas pessoas e fazer novas amizades, o que foi ótimo!

Morando aqui em Utah, eu acabei ficando mais dependente das pessoas pra fazer as coisas. Quando eu estava morando na Virgínia, eu fazia muitas coisas sozinha, e eu amava isso! Não porque eu não tinha amigos – eu tinha bons amigos lá, e eu fazia muitas coisas com eles também. Mas muitas vezes eu queria mesmo era fazer coisas por conta própria, ou se meus amigos não quisessem ir num lugar que eu queria, ou se nossos horários não se encaixassem, eu só ia e fazia o que eu queria. Na verdade, muitas vezes eles me diziam “quando for em D.C. a próxima vez me avisa que quero ir com você”, e eu só ia e não falava nada pra ninguém.

Ir pra SF sozinha depois de tanto tempo sem fazer coisas sozinha foi um pouco assustador de começo, mas isso me ensinou algo que provavelmente eu não teria aprendido se eu tivesse ido com meus amigos: me ensinou a amar à todos.

E quando eu digo amar, eu digo aquele amor de verdade, aquele sentimento puro, que é bom, e que motiva você a fazer o bem para as pessoas, que faz você entender o motivo das escolhas que fazem, de sentir compaixão pelos sofrimentos deles, e aceitar as pessoas como elas são.

No meu último dia em São Francisco, enquanto eu caminhava para o metrô, eu vi essa rua cheia de gente. Cada um fazendo as suas coisas. Tinha gente que parecia estar indo pro trabalho, outros que estavam fazendo compras, um monte de turistas tirando fotos, e olhando para os lados em admiração, um monte de casal LGBT, mendigos nas ruas, pessoas de diferentes países, idiomas, e culturas. Basicamente pessoas de todas as cores, tamanhos, e formas. Todos naquela mesma sopa chamada São Francisco.

Ao ver todas essas pessoas, muitas delas fazendo coisas que não são algo que eu faria, ou concordo, eu fiquei meio em choque de começo. Acho que estou muito acostumada com Utah, onde as pessoas são muito similar com as outras, e comigo mesma. Mas depois me veio algo em mente que mudou a forma como pensei. Comecei a pensar sobre essas pessoas, sobre as vidas delas, de onde elas são, o motivo as escolhas que fazem, o que as fazem felizes, e mais importante, pensei que todas essas pessoas são filhos de Deus. O mesmo Deus que também é meu Pai.

Ver essas pessoas através dessa lente mudou como penso. Consegui então sentir amor por eles, mesmo eles sendo tão diferentes de mim, e fazendo coisas que não concordo. Entendi então, que no fim, todos nós estamos procurando por algo nessa vida. Queremos nos sentir bem, feliz, e amados. Claro que existem barreiras no caminho como depressão, vícios, e falta de esperança que acaba nos afastando do nosso objetivo final. Mas em essência, todos nós precisamos nos sentir amados. Pelo que somos, com a aparência que temos, e independente de qualquer escolhas que venhamos a fazer.

Se agora eu sou uma expert em amar pessoas? Não sou. Isso é um processo contínuo. Mas eu acho que o que importa é continuar tentando, e aprendendo com as nossas falhas. Mas uma coisa posso te dizer, eu sou uma pessoa melhor do que eu fui ontem. E isso é o que realmente importa.